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Notícias

4 de Novembro de 2020

“Bolsa Estação Imagem 2019 Coimbra”

“Na Terra” é uma exposição de Ana Brígida, vencedora da Bolsa Estação Imagem 2019 Coimbra, com a proposta de trabalho sobre as comunidades e eco-aldeias de estrangeiros e portugueses que repovoam o interior desertificado da região de Coimbra.

© Ana Brígida

© Ana Brígida

“Esta é uma história de amor entre o homem, a natureza e os animais. Desde há muito que o interior se despovoa, seja pela falta de interesse na continuação do trabalho no campo, seja pela utopia das cidades de uma vida mais cheia e rica. O êxodo para as metrópoles deixou aldeias ao abandono, casas em ruínas, terras tomadas pela natureza e à mercê dos incêndios. Mas a vivência desligada da terra, a massificação urbana e uma sociedade virada para o consumo e para a tecnologia trouxeram também o interesse de muitos em voltar para a calma do interior. Procuram a vida perdida de gerações anteriores e dão-lhe uma nova energia e significado. Vêm com o sonho de viver mais perto da natureza, tratar dela. Viver de uma forma mais sustentável e onde o círculo de utilização é completo. Usar o que a terra dá, para comer, construir, curar e meditar. Na Serra do Açor, estima-se que vivam já mais de mil novos habitantes nos concelhos da região. A maior parte estrangeiros mas também alguns portugueses que voltam a dar vida às terras. Na zona da Benfeita, há agora 35 crianças que devolveram à aldeia a vida e energia que há muito dali andavam arredadas. Lutam a favor das espécies autóctones da floresta e contra o eucalipto e as monoculturas, reconstruíram as casas devoradas pelas chamas em outubro de 2017, reergueram a comunidade. A maior parte dedica-se à permacultura e alguns recebem voluntários que se interessam por aprender. Muitos acabam até por comprar terreno e começam uma nova vida. Uma vivência onde há tempo para plantar, trabalhar, descansar e, principalmente, para as relações humanas. Aprendem os velhos costumes, as técnicas de xisto e dão-lhes uma nova vida. Misturam a arquitetura do passado com madeiras vindas dos fogos e juntam-lhe o que a natureza tem. Há quem tenha cabras e ovelhas. Todas têm nome. Criaram uma nova economia, uma moeda própria – a estrela –, dois mercados de produtos artesanais, um projeto de aprendizagem comunitária, uma associação criativa e uma loja de roupa em segunda mão, entre muitas outras coisas. Juntam-se para os interesses comuns, mas vivem de forma autónoma, cada família com o seu próprio projeto. A vida nem sempre é fácil, o trabalho na montanha é por vezes árduo, mas a vontade é maior do que a dificuldade. Unem-se para o bem comum e em torno da natureza. ”

 

 

Ana Brígida (março de 2020)

 

Inauguração em 7 de novembro – patente até 3 de janeiro de 2021

Esta notícia foi publicada em 4 de Novembro de 2020 e foi arquivada em: Destaques, Exposições Temporárias.