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9 de Julho de 2021

“My Mind is a Cage”

De 10 de julho a 10 de outubro de 2021, poderá ver no Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto, “My Mind is a Cage”, uma exposição assinada por Roger Ballen e com a curadoria de Ângela Ferreira que explora enigmáticos temas e séries criadas pelo artista norte-americano através de cerca de 50 imagens, vídeos e desenhos do autor.

Trata-se de uma produção única e experimental exclusivamente projetada para o CPF e parte de um sonho antigo de Roger Ballen em apresentar a obra nas distintas celas do edifício da Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, sendo ali criada uma verdadeira experiência imersiva, com a divisão das celas em quartos de prisioneiros que albergam as várias séries do autor. Apesar da diversidade da obra de Ballen, as suas fotografias mantêm unidade ao serem tanto associadas à estética do grotesco, quanto impregnadas de surrealismo. No universo que o próprio designa de “Ballenesque”, as imagens conduzem-nos para uma galeria submersa, tanto psicologicamente como geologicamente, albergando uma coleção de sombras e vestígios de um tempo perdido e de um lugar secreto. Nos primeiros trabalhos em exposição, a sua ligação à tradição da fotografia documental é notória, mas ao longo dos anos 90 desenvolve um estilo que descreve como “ficção documental”. A partir de 1995, com a série “Outland”, Ballen passou a desenvolver imagens fundamentadas nas teorias junguianas, que resultaram no que seria a principal transformação do seu trabalho, quando deixa a fotografia documental para investir na criação de imagens híbridas, que mesclam realidade e ficção, o documental e o teatral, o “simples” retrato e o “tableau”, como meio de autodescoberta e autocompreensão.

No ano 2000, as primeiras pessoas que descobriu e documentou a viver à margem da sociedade sul-africana tornaram-se progressivamente o elenco de atores com quem Ballen trabalhou na série “Outland” (2001) e “Shadow Chamber” (2005), colaborando na criação de perturbadores psicodramas. A linha entre fantasia e realidade nas séries “Boarding House” (2009), “Asylum of the Birds” (2014), “Ballenesque” (2014) e “Theatre of Apparitions” (2016) torna-se cada vez mais indefinida e o autor passa a utilizar desenhos, pinturas, colagens e técnicas de escultura para criar cenários elaborados e complementados pelos imprevisíveis comportamentos dos animais que aparecem fotografados num instante de observação. À questão da busca do significado da fotografia, o autor afirma que é “um fim sem fim”, um quebra-cabeças sem solução. Mas enquanto permanecer a trabalhar, vai continuar a procurar respostas e novos caminhos para expressar as suas visões.

“My Mind is a Cage”, no Centro Português da Fotografia, Porto, promete causar desassossego e reflexões inquietantes sobre as profundezas e os labirintos da mente.

 

 

Inauguração em 10 de julho – patente até 10 de outubro

Esta notícia foi publicada em 9 de Julho de 2021 e foi arquivada em: Destaques, Exposições Temporárias.

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