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13 de Maio de 2021

“The Horizon is Moving Nearer [O horizonte aproxima-se]”

How to Save a Country; Cortesia do artista; © Salvatore Vitale

How to Save a Country
Cortesia do artista
© Salvatore Vitale

 

The Horizon is Moving Nearer considera a natureza simbiótica da sociedade, política e ecologia para explorar os motivos e os processos que conduziram os humanos modernos à atual encruzilhada. Nesta era de emergências globais de saúde, da Covid-19 à violência contra os negros, somos confrontados com uma série de questões críticas inter-relacionadas que nos pedem para reimaginar radicalmente a forma como nos relacionamos com o meio ambiente e uns com os outros.

A exposição reúne obras de oito artistas que utilizam estratégias visuais narrativas e de fragmentação para lidar com as complexidades crescentes que definem nossos tempos conturbados, ao mesmo tempo que examinam questões ontológicas da imagem fotográfica. Utilizando imagem, filme, texto, material de arquivo e tecnologias de visualização avançadas, The Horizon is Moving Nearer explora assuntos como masculinidade tóxica, emergência climática, ecofascismo, conflito, nacionalismo, populismo, cibersegurança, encarceramento em massa, violência de género, violação de direitos indígenas, Trump, Brexit e outros fenómenos. O contexto é o Antropoceno, e as histórias desdobram-se nos planos individual e coletivo, hiperlocal ou global.

Considerando este amplo conjunto de condições, mas com foco na justiça social e na degradação ambiental, a exposição tenta levantar várias questões. Em que medida a masculinidade tóxica é uma ameaça às responsabilidades do cuidar e a um comportamento amigo do ambiente? Terá o modelo ressurgente do «homem forte», personificado por líderes mundiais como Trump, Putin, Bolsonaro e outros, acelerado os desastres relacionados com o clima? De que forma a política reacionária e a extrema direita cooptaram mensagens de movimentos climáticos ativos para propagar falsidades sobre população, raça e imigração? Como é que esta retórica política e jornalística expôs uma era de pós-verdade que está fundamentalmente ligada ao nativismo e à xenofobia associados a afirmações de ruína financeira?

Como é que as ameaças emergentes — reais ou imaginárias — do terrorismo ao cibercrime, vigilância, abuso de informação e até mesmo ao clima, se mercantilizam e são transformadas em armas sob o pretexto de garantir a segurança dos cidadãos? Qual é o papel desempenhado pelo nosso apetite por minerais e outros recursos no progresso da humanidade e acumulação de riqueza pelas nossas sociedades? Como é que isto se interseta com certos empreendimentos económicos violentos que colocam em risco o bem-estar das sociedades? Como poderão resistir as pessoas expulsas das suas terras em nome do lucro das corporações e as vítimas de práticas de trabalho exploradoras? De que forma estruturas invisíveis podem perpetuar 400 anos de danos causados às comunidades e indivíduos negros pelas ideologias filiadas no supremacismo branco, pelos seus sistemas, práticas e comportamentos? Que meios e estratégias estão a ser utilizados pelos artistas para imaginar e representar estas questões imensas, tanto as sociais como as biofísicas, nos suportes do vídeo e da fotografia, mantendo a autonomia necessária à sua expressão individual?

Como foi sugerido em Dancing on the volcano: social exploration in times of discontent (2019)[1], os desenvolvimentos mais recentes podem ser compreendidos graças a novos saberes fornecidos por teorias de sistemas complexos que nos dizem o que acontece quando a resiliência de um planeta habitável é testada — e diminui — devido a flutuações na organização social. Mudanças globais radicais que podem produzir instabilidade social, como enormes disparidades na distribuição de riqueza e crises climáticas, devem ser interpretadas por meio de fatores subjacentes ao comportamento humano (e os efeitos das suas ações), incluindo a necessidade de identidades de grupo e o confronto com o medo da mortalidade para evitar o colapso da biosfera e da civilização.

The Horizon is Moving Nearer assume o Centro Português de Fotografia como o seu local de acolhimento: não apenas como uma moldura, mas como um local repleto de vestígios do passado. Uma antiga prisão do século XVIII — operacional até o pós-25 de Abril em 1974 — a história deste edifício oferece um pano de fundo incisivo para o exame de como os crimes e as táticas ideológicas do capitalismo deixaram de poder ser escondidos, aqui tomando a forma literal das grandes celas (ou enxovias, agora adaptadas à função de salas de exposição) onde se mostram corpos de trabalho fotográfico que articulam vários espaços de «clausura».

Ainda que a humanidade aparente estar presa a estes ciclos de injustiça, a exposição não deixa de projetar uma ideia de otimismo para o futuro e uma convicção na capacidade da arte para transformar a nossa forma de pensar, como evidencia o filme de Nancy Burson, Love Above All Else (2019), no qual a artista celebra o triunfo do amor sobre o mal. É com todo este cuidado que, em 2021, a Ci.CLO Bienal propõe The Horizon is Moving Nearer como um projeto dedicado à ideia de uma produção artística e expositiva como afirmação de espaços de aprendizagem e resistência para este presente conturbado.

 

 

Artistas Lisa Barnard, Poulomi Basu, Nancy Burson, Maxime Matthys, Gideon Mendel, Simon Roberts, Salvatore Vitale, Stanley Wolukau-Wanambwa

Curadoria Tim Clark

Assistente de Curadoria Alex Merola

 

 

 

 

 

Inauguração em 14 de maio – patente até 20 de junho

Esta notícia foi publicada em 13 de Maio de 2021 e foi arquivada em: Destaques, Exposições Temporárias.

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