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Documento Mês – Fundo Bibliográfico

Sabia que Carlos Relvas, no século XIX, criou um estúdio tão inovador que era considerado um dos mais avançados da Europa?

O historiador António Pedro Vicente (1938–2024) dedica um texto ao “templo fotográfico”, a Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã, destacando-a como marco da história da fotografia em Portugal e exemplo singular da arquitetura do ferro do século XIX. Construída entre 1871 e 1875, foi concebida por Carlos Relvas (1838–1894) para funcionar como estúdio fotográfico, oferecendo condições de trabalho comparáveis às dos melhores estúdios europeus. O edifício conjuga estuque, vidro e cerca de trinta e três toneladas de ferro fundido, revelando espírito inovador. Na fachada principal sobressaem os bustos de Joseph Niépce (1765–1833) e Louis Daguerre (1787–1851), pioneiros da fotografia, num gesto de homenagem aos inventores que impulsionaram a nova arte. O estúdio envidraçado do piso superior foi minuciosamente planeado e integra um sistema de panos opacos, acionados por cordas e roldanas, permitindo regular a luz conforme o sol. Nos laboratórios claro e escuro desenvolviam-se as etapas químicas do processo fotográfico, enquanto no piso inferior uma sala de espera com camarim preparava os retratados. Concebido como máquina de luz e experimentação, o estúdio tornou-se referência da fotografia portuguesa.


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