Exposições e Eventos
Indispensável para responder a um público alargado, o calendário expositivo proporciona não apenas o conhecimento da evolução da fotografia, como as experiências pessoais e coletivas que marcaram a teoria e a prática fotográficas nacional e internacional.
Conjugam-se assim os objetivos pedagógicos, sociais e artísticos, garantindo-se uma periodicidade regular ao longo do ano.
A programação do Centro Português de Fotografia tem procurado equilibrar a fotografia contemporânea e histórica, a fotografia portuguesa e internacional.
Exposições Temporárias
Documento do Mês
Exposições Permanentes
Eventos

Documento Mês – Fundos e Coleções

Retrato de Augusto Neuparth (1830-1887) publicado no jornal “Perfis Artísticos: música, teatro e belas-artes”
Albumina
PT/CPF/APV/001/0139/1393
Nascido em Lisboa, Augusto Neuparth foi um dos mais notáveis fagotistas[1] (1) portugueses do século XIX. Filho do músico e editor Eduardo Neuparth, deu continuidade a uma dinastia dedicada à arte e à música. Estreou-se aos 17 anos e, em 1848, ingressou na orquestra do Real Teatro de São Carlos, onde se destacou como primeiro fagotista e músico da Câmara Real.
Reconhecido pela sua técnica refinada e expressividade, representou Portugal em viagens de estudo pela Europa, promovendo o intercâmbio musical do país com os grandes centros culturais da época.
A família Neuparth fundou o célebre Salão Neuparth, importante espaço de edição e divulgação musical em Lisboa, que perdurou por várias gerações.
[1] Fagote: Instrumento de sopro da família das madeiras, reconhecido pelo seu tubo longo e dobrado e pelo som grave e aveludado. É essencial nas orquestras desde o século XVIII.
Born in Lisbon, Augusto Neuparth was one of the most distinguished bassoonists of the 19th century in Portugal. The son of musician and publisher Eduardo Neuparth, he continued a family lineage devoted to art and music. He made his debut at the age of 17 and, in 1848, joined the orchestra of the Royal Theatre of São Carlos, where he stood out as principal bassoonist and musician of the Royal Chamber.
Renowned for his refined technique and expressiveness, he represented Portugal on study trips across Europe, fostering the country’s musical exchange with the major cultural centers of the time.
The Neuparth family founded the celebrated Salão Neuparth, an important music publishing and performance space in Lisbon that endured for several generations.
Photographia Universal
Portrait of Augusto Neuparth (1830-1887), published in the newspaper “Perfis Artísticos: música, teatro e belas-artes”
Albumin
PT/CPF/APV/001/0139/1393
Documento Mês – Fundo Bibliográfico
Tinha conhecimento que as fotografias de José Augusto da Cunha Moraes contribuíram para construir a imagem da “África Portuguesa”?
A fotografia realizada por portugueses em África no final do século XIX tornou-se uma fonte histórica para compreender o passado das antigas colónias e das populações que nelas viviam. O historiador António Pedro Vicente (1938–2024) afirma que estas imagens só podem ser interpretadas quando consideradas no contexto em que foram produzidas: a chamada “corrida a África”, marcada pela rivalidade entre potências europeias. Nesse período, Angola tornou-se um ponto de partida e chegada de expedições científicas e coloniais. A fotografia assumiu então funções exploratórias, documentais e políticas, servindo como prova visual do território e como instrumento de legitimação da presença portuguesa.
É neste enquadramento que se destaca José Augusto da Cunha Moraes (1855–1933), reconhecido pelo historiador como o primeiro fotógrafo português a produzir imagens com valor etnogeográfico sobre Angola. Os seus registos revelam um olhar sobre as populações locais, integrando elementos de carácter antropológico, sociológico e etnográfico. A sua obra combina estética e propaganda colonial, contribuindo para o conhecimento do território angolano e para a consolidação do projeto colonial português.
Did you know that the photographs of José Augusto da Cunha Moraes helped construct the image of “Portuguese Africa”?
Photography produced by Portuguese in Africa in the late nineteenth century has become a historical source for understanding the past of the former colonies and the populations who lived there. The historian António Pedro Vicente (1938–2024) maintains that these images can only be interpreted when viewed within the context in which they were created: the so-called “Scramble for Africa,” marked by rivalry among European powers. During this period, Angola became both a point of departure and a destination for scientific and colonial expeditions. Photography thus took on exploratory, documentary, and political functions, serving as visual evidence of the territory and as an instrument for legitimizing the Portuguese presence.
It is within this framework that José Augusto da Cunha Moraes (1855–1933) stands out, recognized by the historian as the first Portuguese photographer to produce images of ethnogeographic value on Angola. His photographs reveal a particular gaze on local populations, incorporating anthropological, sociological, and ethnographic elements. His work combines aesthetics with colonial propaganda, contributing both to the knowledge of the Angolan territory and to the consolidation of the Portuguese colonial project.
VICENTE, António Pedro; MONTI, Nicolas; ENCONTROS DE FOTOGRAFIA (11; 1991) – Cunha Moraes: viagens em Angola, 1877-1897. Coimbra: Encontros de Fotografia, 1991
Documento Mês – Equipamento Fotográfico
Wristamatic Model 30, ca. 1981
Magnacam Corp, Oakland, EUAColeção de Câmaras e Equipamento Fotográfico, Coleção António Pedro Vicente, PT/CPF/CCEF/APV/00860
Apresentando-se sob a forma de um relógio de pulso, faltando-lhe aqui a bracelete, esta pequena câmara integrava um sistema fotográfico miniaturizado, concebido para ser operado de modo discreto. Equipada com uma objetiva de foco fixo f:11/20mm e um obturador de velocidade única (1/100), utilizava filme em formato de disco, permitindo captar 6 imagens circulares de 10 mm.
O conceito de uma câmara-relógio refletia o fascínio da década de 1980 por dispositivos multifuncionais, num contexto em que a miniaturização tecnológica e a estética do “gadget” se tornavam símbolos de modernidade. Embora de uso limitado e mais associada ao universo dos objetos de espionagem ou de curiosidade técnica, a câmara Wristamatic Model 30 permanece como um exemplo expressivo da criatividade e engenho aplicados à fotografia portátil.
Esta câmara integra a Coleção António Pedro Vicente, pertencente ao acervo museológico do Centro Português de Fotografia, onde é preservada como testemunho do imaginário técnico e cultural que aproximou a fotografia do mundo dos acessórios pessoais.
Celebrando neste mês de dezembro a vida e os feitos deste monarca, designadamente na área da fotografia, enquanto ferramenta educativa e de progresso, apresentamos um conjunto de objetivas do final do século XIX e início do século XX.
Presented in the form of a wristwatch, lacking its original wrist strap, this small camera incorporated a miniaturised photographic system designed to be operated discreetly. Equipped with a fixed-focus f:11/20 mm lens and a single-speed shutter (1/100), it used disc film, allowing for six circular images of 10 mm each.
The concept of a watch camera reflected the 1980s fascination with multifunctional devices, at a time when technological miniaturisation and “gadget” aesthetics had become symbols of modernity. Although of limited practical use and more closely associated with the world of espionage devices or technical curiosities, the Wristamatic Model 30 remains an expressive example of the creativity and ingenuity applied to portable photography.
This camera is part of the António Pedro Vicente Collection, preserved at the Portuguese Centre of Photography, where it stands as a testament to the technical and cultural imagination that brought photography into the realm of personal accessories.
Wristamatic Model 30, ca. 1981
Magnacam Corp, Oakland, USA
Camera and Photographic Equipment Collection, António Pedro Vicente Collection, PT/CPF/CCEF/APV/00860



