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Documento do mês

2026 – António Pedro Vicente (1938-2024)

António Pedro Vicente nasceu em julho de 1938, em Águeda, licenciou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorou-se em História pela Universidade de Paris-Nanterre na década de 1970.

Foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa.

Começou a colecionar máquinas e fotografias na década de 1960, numa época em que quase ninguém o fazia, pelo que conseguiu adquirir exemplares hoje muito raros ou mesmo inexistentes no mercado internacional.

Uma parte considerável desta coleção está atualmente patente ao público, no CPF, em exposição permanente, no seu Núcleo Museológico, que tem precisamente o seu nome.

No ano de 2026, prestamos uma justíssima homenagem a António Pedro Vicente, falecido em dezembro de 2024, e cujo espólio, à guarda do CPF, incorpora não só equipamento fotográfico, mas também provas e compêndios de Fotografia, para além das mais prestigiadas publicações da área até aos anos 1930’s. Assim, todos os meses são apresentadas três peças, correspondendo a três vertentes distintas, todas provenientes da Coleção António Pedro Vicente:

– uma fotografia;

– um livro ou publicação;

– um objeto da Coleção de Câmaras e Equipamento Fotográfico.

Histórico:

Arquivos e Coleções

Câmaras e Equipamento Fotográfico

Fundo Bibliográfico

Documento Mês – Fundos e Coleções

Photographia Universal
Retrato de Augusto Neuparth (1830-1887) publicado no jornal “Perfis Artísticos: música, teatro e belas-artes”
Albumina
PT/CPF/APV/001/0139/1393

Nascido em Lisboa, Augusto Neuparth foi um dos mais notáveis fagotistas[1] (1) portugueses do século XIX. Filho do músico e editor Eduardo Neuparth, deu continuidade a uma dinastia dedicada à arte e à música. Estreou-se aos 17 anos e, em 1848, ingressou na orquestra do Real Teatro de São Carlos, onde se destacou como primeiro fagotista e músico da Câmara Real.

Reconhecido pela sua técnica refinada e expressividade, representou Portugal em viagens de estudo pela Europa, promovendo o intercâmbio musical do país com os grandes centros culturais da época.

A família Neuparth fundou o célebre Salão Neuparth, importante espaço de edição e divulgação musical em Lisboa, que perdurou por várias gerações.


[1] Fagote: Instrumento de sopro da família das madeiras, reconhecido pelo seu tubo longo e dobrado e pelo som grave e aveludado. É essencial nas orquestras desde o século XVIII.

Documento Mês – Fundo Bibliográfico

Tinha conhecimento que as fotografias de José Augusto da Cunha Moraes contribuíram para construir a imagem da “África Portuguesa”?

A fotografia realizada por portugueses em África no final do século XIX tornou-se uma fonte histórica para compreender o passado das antigas colónias e das populações que nelas viviam. O historiador António Pedro Vicente (1938–2024) afirma que estas imagens só podem ser interpretadas quando consideradas no contexto em que foram produzidas: a chamada “corrida a África”, marcada pela rivalidade entre potências europeias. Nesse período, Angola tornou-se um ponto de partida e chegada de expedições científicas e coloniais. A fotografia assumiu então funções exploratórias, documentais e políticas, servindo como prova visual do território e como instrumento de legitimação da presença portuguesa.
É neste enquadramento que se destaca José Augusto da Cunha Moraes (1855–1933), reconhecido pelo historiador como o primeiro fotógrafo português a produzir imagens com valor etnogeográfico sobre Angola. Os seus registos revelam um olhar sobre as populações locais, integrando elementos de carácter antropológico, sociológico e etnográfico. A sua obra combina estética e propaganda colonial, contribuindo para o conhecimento do território angolano e para a consolidação do projeto colonial português.

Documento Mês – Equipamento Fotográfico


Wristamatic Model 30, ca. 1981

Magnacam Corp, Oakland, EUAColeção de Câmaras e Equipamento Fotográfico, Coleção António Pedro Vicente, PT/CPF/CCEF/APV/00860

Apresentando-se sob a forma de um relógio de pulso, faltando-lhe aqui a bracelete, esta pequena câmara integrava um sistema fotográfico miniaturizado, concebido para ser operado de modo discreto. Equipada com uma objetiva de foco fixo f:11/20mm e um obturador de velocidade única (1/100), utilizava filme em formato de disco, permitindo captar 6 imagens circulares de 10 mm.
O conceito de uma câmara-relógio refletia o fascínio da década de 1980 por dispositivos multifuncionais, num contexto em que a miniaturização tecnológica e a estética do “gadget” se tornavam símbolos de modernidade. Embora de uso limitado e mais associada ao universo dos objetos de espionagem ou de curiosidade técnica, a câmara Wristamatic Model 30 permanece como um exemplo expressivo da criatividade e engenho aplicados à fotografia portátil.
Esta câmara integra a Coleção António Pedro Vicente, pertencente ao acervo museológico do Centro Português de Fotografia, onde é preservada como testemunho do imaginário técnico e cultural que aproximou a fotografia do mundo dos acessórios pessoais.

Celebrando neste mês de dezembro a vida e os feitos deste monarca, designadamente na área da fotografia, enquanto ferramenta educativa e de progresso, apresentamos um conjunto de objetivas do final do século XIX e início do século XX.

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